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De Oeiras

Notas de um lisboeta, criado em Caxias, despachadas de Oeiras

De Oeiras

Notas de um lisboeta, criado em Caxias, despachadas de Oeiras

23.08.07

Cabo das Tormentas


Tó Zé Rodrigues

                                                               Para a Raquel,
                                                               Cabo da Boa Esperança de seus pais       

Quatro dois três a quatro dois quatro
Marca o seu relógio despertador
Acorda não acorda neste tempo
Quatro dois três a quatro cinco quatro

Neste tempo tão longo quanto curto
Parece que não passou um minuto
Neste seu breve e quente sonho de amor
Acorda por fim este trabalhador

Criar linhas e linhas de um pacote
É a sua luta e a sua sorte
Mas às vezes o Cabo das Tormentas

É vencer com precisão e clareza
Segurando a alegria do poeta
A destrinça entre o lote e o caixote

    Tó Zé

22.08.07

A água e o mar


Tó Zé Rodrigues

                                                     Para o Fausto

A tristeza está na escrita
A alegria está na vida
Fica sem tinta a caneta
Por cada mágoa sentida

Por cada mágoa sentida
Corre um rio de água
Que vai encher aquele mar
Onde nasceu toda a vida

Viver é cantar a alegria
Escrever é o intervalo
Busco os dois ó ironia

Fico alegre de pensá-lo

                      Tó Zé

19.08.07

Visão


Tó Zé Rodrigues

Tudo que faço ou medito
É qual visão no deserto
Ao longe vejo tanta água
Nada porém vejo ao perto

Dunas de areia imensa
São as ondas desse mar
Onde um pobre marinheiro
Não faz mais do que sonhar

Que importa o que não vejo
Face aquilo que procuro
Amanhã o sol clareia
Depois de um breu escuro

   Tó Zé
(19-08-2007)